Estes primeiros contactos com o estranho mundo da Filosofia são sempre muito arriscados. Aliás, trata-se de uma actividade radical e, como tal, devem-se correr riscos. Para fugir ao hábito de receber os conhecimentos direitinhos, prontos a guardar e consumir (diga-se memorizar e reproduzir), conduzi a aula de modo a desestabilizar a tendência para as ideias feitas. Por exemplo, siga-se este diálogo:
Professor (P): -Qual a diferença entre ser e existir? Existem cavalos com asas?
Aluno (A): - Não.
P: - Mas eu penso em cavalos com asas, logo para mim eles existem.
A: - Mas existem como? Que cavalos são esses?
P: - São ideias, são imagens.
A: - Mas, imagens e ideias não são cavalos.
P: - Por isso mesmo, cavalos com asas não existem enquanto cavalos. Só existem as imagens que eu deles crio. Mas esses cavalos, apesar de só existirem como ideias, eu penso neles logo são seres; ou não serão eles mesmo nada?
A: - Não são nada, porque não existem.
P: - Se assim é, como poderia eu pensar neles, se é impossível pensar em nada?
A: - Então, eles são seres porque eu penso neles, mas não existem enquanto cavalos com asas reais. É isso?
P: - Claro! Quando pensas nesses seres eles só existem enquanto fruto da tua imaginação, como ideias ou como imagens. Ora, ideias e imagens não são cavalos com asas reais. Esses são seres em que tu pensas mas dos quais ainda não tens nenhum dado que te convença de que realmente existem enquanto verdadeiros cavalos com asas. No entanto tu pensas neles. São seres que para já não existem, porque ainda não os descobriste.
Conclusão: ser é tudo; existir é ser para si (ou seja, para mim). Nem tudo o que é existe, mas tudo o que existe é. O que não é é nada e nada é impensável. Só se consegue pensar no ser, afirmando-o ou negando-o: o ser é e o não-ser não é.
Eis um exemplo de como o professor tentou "dar um nó" no raciocínio dos alunos, logo na segunda aula.
É para que sintam que, na Filosofia, não interessa tanto saber se os cavalos têm ou não asas, mas sim libertar o pensamento para que ele possa ser mais crítico e criativo. Os alunos devem descobrir, na prática, como se preparam para a vida através dos exercícios de reflexão e argumentação filosófica.
Quanto aos conhecimentos, que serão registados no moodle da ESJSC, chegámos aos sentido etimológico de Filosofia (phylos+sophia) e antropológico (as questões essenciais de Kant: Quem sou eu? Que faço no mundo? Qual é o meu destino?, as quais conduzem respectivamente às seguintes: Que posso saber? Que devo fazer? Que me é permitido esperar?).
Isto foi uma entrada para abalar! Agora, tal como a Penélope, que , na manta que tecia, refazia de dia o que desfazia de noite, para poder esperar indefinidamente pelo seu amado Ulisses, que tinha ido para a guerra de Tróia, nós também voltaremos às ideias-chaves que, entretanto, vão sendo desfeitas pelo dia-a-dia dos alunos, para as refazermos incessantemente e, em espiral, irmo-nos preparando cada vez mais e mais para a chegada da Filosofia.
Josias Gil

aqui é que foi . Grande confusão . Só se ouvia questões do tipo , ' AH ? Mas afinal existe , ou não existe ? . Para nós alunos , sem dúvida alguma naquela sala ( e no mundo ) não existiam cavalos com asas , nós não vemos nenhum cavalo com asas nem nada , mas para o ' stor ' existiam 
