Pois Zé, Manel, Maria, Felismino, Gertrudes, Irineia, Lena, Tó, Zacarias.... ... ... cada qual diz-se aqui como quer e não quer, como sabe e não sabe, mas, sobretudo, não como o outro quer, espera ou sabe! Diz-se e desdiz-se, faz-se e desfaz-se. Olha
Terça-feira, 18 de Setembro de 2007
A 2ª aula de Filosofia

Estes primeiros contactos com o estranho mundo da Filosofia são sempre muito arriscados. Aliás, trata-se de uma actividade radical e, como tal, devem-se correr riscos. Para fugir ao hábito de receber os conhecimentos direitinhos, prontos a guardar e consumir (diga-se memorizar e reproduzir), conduzi a aula de modo a desestabilizar a tendência para as ideias feitas. Por exemplo, siga-se este diálogo:

Professor (P): -Qual a diferença entre ser e existir? Existem cavalos com asas?

Aluno (A): - Não.

P: - Mas eu penso em cavalos com asas, logo para mim eles existem.

A: - Mas existem como? Que cavalos são esses?

P: - São ideias, são imagens.

A: - Mas, imagens e ideias não são cavalos.

P: - Por isso mesmo, cavalos com asas não existem enquanto cavalos. Só existem as imagens que eu deles crio. Mas esses cavalos, apesar de só existirem como ideias,  eu penso neles logo são seres; ou não serão eles mesmo nada?

A: - Não são nada, porque não existem.

P: - Se assim é, como poderia eu pensar neles, se é impossível pensar em nada?

A: - Então, eles são seres porque eu penso neles, mas não existem enquanto cavalos com asas reais. É isso?

P: - Claro! Quando pensas nesses seres eles só existem enquanto fruto da tua imaginação, como ideias ou como imagens. Ora, ideias e imagens não são cavalos com asas reais. Esses são seres em que tu pensas mas dos quais ainda não tens nenhum dado que te convença de que realmente existem enquanto verdadeiros cavalos com asas. No entanto tu pensas neles. São seres que para já  não existem, porque ainda não os descobriste.

Conclusão: ser é tudo; existir é ser para si (ou seja, para mim). Nem tudo o que é existe, mas tudo o que existe é. O que não é é nada e nada é impensável. Só se consegue pensar no ser, afirmando-o ou negando-o: o ser é e o não-ser não é.

Eis um exemplo de como o professor tentou "dar um nó" no raciocínio dos alunos, logo na segunda aula.

É para que sintam que, na Filosofia, não interessa tanto saber se os cavalos têm ou não asas, mas sim libertar o pensamento para que ele possa ser mais crítico e criativo. Os alunos devem descobrir, na prática, como se preparam para a vida através dos exercícios de reflexão e argumentação filosófica.

Quanto aos conhecimentos, que serão registados no moodle da ESJSC, chegámos aos sentido etimológico de Filosofia (phylos+sophia) e antropológico (as questões essenciais de Kant: Quem sou eu? Que faço no mundo? Qual é o meu destino?, as quais conduzem respectivamente às seguintes: Que posso saber? Que devo fazer? Que me é permitido esperar?).

Isto foi uma entrada para abalar! Agora, tal como a Penélope, que , na manta que tecia, refazia de dia o que desfazia de noite, para poder esperar indefinidamente pelo seu amado Ulisses, que tinha ido para a guerra de Tróia, nós também voltaremos às ideias-chaves que, entretanto, vão sendo desfeitas pelo dia-a-dia dos alunos, para as refazermos incessantemente e, em espiral, irmo-nos preparando cada vez mais e mais para a chegada da Filosofia.

 

Josias Gil 


sinto-me:

publicado por poize às 21:22
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6 comentários:
De Anónimo a 24 de Setembro de 2007 às 16:23
Olá!
Vou deixar aqui um pequeno comentário, não tem haver com a segunda aula, é um simples comentário. xD
Quando soube que este ano iria ter Filosofia, não fiquei preocupado, era mais uma disciplina no meio de tantas.
Ainda só tive 3 aulas, mas as duvidas já começaram a aparecer.
Aquelas perguntas que pareciam simples, como “Quem sou eu?”, agora parecem um bicho de 7 cabeças.
Na ultima aula ouvi uma expressão que me fez pensar, achei interessante, ela foi dita por Sócrates, não foi o nosso Primeiro-ministro ele tb não tinha capacidade mental para a dizer, a expressão é “só sei que nada sei”, da que pensar, não dá.
Não tenho mais nada a dizer, acho a disciplina interessante, e espero aprender muitas coisas ao longo deste ano.

Américo
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Olá! <BR>Vou deixar aqui um pequeno comentário, não tem haver com a segunda aula, é um simples comentário. xD <BR>Quando soube que este ano iria ter Filosofia, não fiquei preocupado, era mais uma disciplina no meio de tantas. <BR>Ainda só tive 3 aulas, mas as duvidas já começaram a aparecer. <BR>Aquelas perguntas que pareciam simples, como “Quem sou eu?”, agora parecem um bicho de 7 cabeças. <BR>Na ultima aula ouvi uma expressão que me fez pensar, achei interessante, ela foi dita por Sócrates, não foi o nosso Primeiro-ministro ele tb não tinha capacidade mental para a dizer, a expressão é “só sei que nada sei”, da que pensar, não dá. <BR>Não tenho mais nada a dizer, acho a disciplina interessante, e espero aprender muitas coisas ao longo deste ano. <BR><BR>Américo <BR class=incorrect name="incorrect" <a>Nº1</A> <BR class=incorrect name="incorrect" <a>10ºE</A> <BR>


De Joana Azevedo , Nº15 a 24 de Setembro de 2007 às 17:24
Poizé , o que é que eu vou dizer?...
Bem, a minha primeira impressão da disciplina Filosofia foi que era 'uma seca' , porque sempre ouvi falar que ia ter uma disciplina nova no 10º ano, que era a Filosofia , e que a fama dessa disciplina não era propriamente a que os alunos mais gostavam .
A primeira aula foi ouvir e ouvir pois foi a apresentação, mas a segunda gostei! Achei super interessante aquela história dos cavalos com asas , que nós deu um nó tremendo nas nossas cabeças .
Também achei imensa piada quando o professor disse: "Quem nos garante que não está aqui uma cavalo dentro da sala de aula ?"
E os alunos a pensar: "Ó, é obvio que não..." , mas seria assim tão obvio ?!
Dá que pensar...
Fui para a casa nesse dia e pus-me a pensar naquelas perguntas escritas no sumário , " Quem sou eu? Que faço no mundo? Qual é o meu destino?"
Complicado ...
Acho que já não tenho mais nada para dizer...
Espero nunca perder o interesse pelas aulas de Filosofia!
*


De poize a 26 de Setembro de 2007 às 00:06
poizé Joana Se algum dia começares a perder o gosto pela filosofia, diz-me porquê. Eu farei o que puder para que isso não aconteça.


De Tânia Silva a 25 de Setembro de 2007 às 21:50
A Poizéé , esta segunda aula foi sem dúvida alguma , interessante , pois tivemos que por a nossa mente , pensamentos críticos e e imaginação para aquela questão do suposto cavalo com asas que existe , mas afinal não existe nada . Eia aqui é que foi . Grande confusão . Só se ouvia questões do tipo , ' AH ? Mas afinal existe , ou não existe ? . Para nós alunos , sem dúvida alguma naquela sala ( e no mundo ) não existiam cavalos com asas , nós não vemos nenhum cavalo com asas nem nada , mas para o ' stor ' existiam . Que grande confusão , tudo o que um vê os outros também haviam de ver . De início até se perguntou que cavalos seriam aqueles ... E assim é . O ' stor ' tinha razão . Afinal o cavalo com Asas existe , mas em ideias , são apenas imagens , pensamentos . Ou seja os cavalos com asas não existem na forma de cavalo ( real ) , mas existe apenas na nossa mente , na nossa imaginação e pensamento , somos nós que o criamos , logo EXISTEM . E não poderiam ser nada , porque nós ( enquanto seres humanos ) não conseguimos pensar em NADA . Porque NADA é mesmo NADA .
Nesta aula , até fiquei a saber a diferença de ser , existir e tudo .

Afinal o ' stor ' logo na segunda aula conseguiu - nos desfazer a ideia que tínhamos de que o cavalo com asas não existia . E que na Filosofia não se precisa de decorar os conceitos teóricos mas sim compreende-los . O que por vezes se torna muito mais fácil .



Afinal , Filosofia não parece ser aquela disciplina seca que toda a gente diz . Pelo menos até agora .
Ainda temos mais 2 Períodos pela frente e este ainda mal começou .







Tânia Silva , Nº 22 , 10ºE





SINTO - ME AHAHAHAHA .


De poize a 26 de Setembro de 2007 às 00:21
Poizé isso mesmo Tânia!
De facto és tu que fazes com que as coisas que são passem a existir!
E eu quero que passem a existir umas asas no teu pensamento!


De Tânia Silva a 8 de Dezembro de 2007 às 19:17
E poizé ultimamente, tenho feito com que as coisas passem a ser. Umas asas ao meu pensamento é um pouco difícil . Por vezes, elas começam a voar, mas chegam a certa altura e param .
Espero que muito rapidamente, o meu pensamento ganhe umas asinhas muito mais resistentes

Tânia Silva . 10ºE


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